
Neste breve artigo não temos a intenção de abordar de forma completa cada oráculo aqui mencionado, mas de trazer à tona à ideia de que a religião, ao longo de toda a sua história, sempre e constantemente fez uso de ferramentas oraculares. Seria impossível também abranger todas as religiões existentes, ou que já existiram. Por isso, o critério utilizado para a seleção do que seria aqui abordado foi a orientação da espiritualidade.
Ao pensar em Oráculo, o primeiro que me vem à mente é o Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga. É claro que este não era o único oráculo com o qual a Antiga Religião Grega contava (temos também, por exemplo, o Oráculo de Dódona), mas este seja talvez o mais famoso deles. Tão famoso que, na atualidade, temos um Novo Oráculo de Delfos, de Aquiles Kostas, pela Editora Isis.
Mas a Religião Grega da Antiguidade não era a única que fazia uso de tais ferramentas. Tantas outras religiões também o faziam e o fazem ainda hoje.
O Judaísmo contava com Urim e Tumim:
Ele consultou o Senhor, mas o Senhor não lhe respondeu nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. (1 Samuel 28:6 – NVI)
No texto bíblico citado acima vemos que, para além de Urim (e Tumim, por extensão), o povo judaico também tinha como ferramenta oracular os sonhos e os profetas (mensageiros dos deuses). Tais oráculos eram utilizados, assim como hoje, para a tomada de decisões.
Ponha também o Urim e o Tumim no peitoral do juízo, para que estejam sobre o coração de Arão sempre que ele entrar na presença do Senhor. Assim, Arão levará sempre sobre o coração, na presença do Senhor, o meio para tomar decisões em Israel. (Êxodo 28:30 – NVI)
O governador lhes ordenou que não comessem das coisas santíssimas até que houvesse um sacerdote para consultar o Urim e o Tumim. (Esdras 2:63 – NVI)
Ainda em se tratando de Judaísmo, mas abarcando também o Cristianismo, temos os Oráculos Sibilinos ou Sibilinas Cristãs. Apesar de não se saber a origem exata de tais oráculos, temos ciência de que seu caráter era claramente judaico-cristão. Também é sabido que se trata de um conjunto de oráculos, muitas vezes encontrados em Escrituras Apócrifas. Sua designação foi inspirada nas Sibilas (profetizas greco-romanas) antigas que, divinamente inspiradas, prediziam o futuro. Em suma, os Oráculos Sibilinos são uma coletânea de declarações proféticas.
Uma vez que “oráculo” é algo ou alguém consultado para que se obtenha uma resposta da(s) divindade(s), pode-se dizer que a bíblia cristã, o Alcorão e outros textos sagrados das mais diversas religiões também figuram como oráculos, trazendo revelação, direcionamento, orientação e até mesmo previsões aos fiéis, como vemos no livro bíblico cristão de Apocalipse, ou Revelação!
No que tange ao cristianismo moderno, em específico aos movimentos pentecostais e neopentecostais, as profecias emitidas per pastores, missionários, pregadores, profetas e afins também são o oráculo do qual fazem uso os devotos de tais religiões. Determinações proféticas, previsões, revelações e interpretações de sonhos e de textos sagrados, que podem ser acatados por quem desejar, estão à disposição de tais cristãos.
Os Cultos aos Orixás, por sua vez, têm como oráculos Ossos, Conchas e Ikins. Aqui no Ocidente e, em especial no Brasil, temos maior familiaridade com os Búzios, bastante utilizado no Candomblé. A leitura dos odus (“destinos”) é feita por meio dos Búzios, por um Sacerdote devidamente preparado e iniciado nesses mistérios.
O I-Ching, ligado ao Taoísmo (TAO = princípio gerador de todas as coisas), é um texto de origem chinesa que integra sabedoria e ensinamentos ancestrais. Considerado o livro mais antigo da China, remonta de 2850 a 5500 antes da era comum, e traz em si os princípios de O Yin e O Yang, conceito do Taoísmo que fala sobre a dualidade de tudo o que existe no Universo: masculino e feminino, expansão e retração, ação e contemplação, e assim por diante.
Seja na Antiguidade ou na Pós-Modernidade, e no que vier a se seguir a ela, o homem anseia por respostas, orientação e previsões. Em meio às angústias da vida diária, cidadãos da Antiga Mesopotâmia e da China manufatureira da atualidade buscam por conforto espiritual e direcionamento por meio dos mais diversos oráculos.
Nós, oraculistas, nos propomos a transmitir e desvelar pelo menos um pouco destes mistérios, através de conhecimento, jornada interna e canalização, dando voz ao que sempre viveu e nunca morrerá: os oráculos.
Bibliografia:
DEBBIO, Marcelo Del, MARTINELLI, Priscilla. Tarô Hermético. 3ª edição. São Paulo, S. Daemon Editora, 2025.
KOSTAS, Aquiles. O Novo Oráculo de Delfos. 1ª edição. São Paulo, SP. Editora Isis, 2017.
Por Keywitch
Taróloga e devota de Hekate

