Sagrado
Keywitch
[ 6 de September de 2026 by Keywitch 0 Comments ]

Sagrado

As definições encontradas no dicionário PRIBERAM para a palavra “sagrado” incluem: 

1. Que recebeu a consagração, que se sagrou.

2. Relativo ao culto religioso. = SACRO, SANTOPAGÃO, PROFANO

3. Que inspira ou deve inspirar grande respeito ou veneração. = SACRO, SANTO

4. Que deve ser cumprido ou respeitado (ex.: direito sagrado, promessa sagrada). = INVIOLÁVEL

5. Que é muito puro ou tem qualidades superiores.

Assim sendo, o sagrado é aquilo que é digno de respeito religioso e profunda veneração.

Segundo Mircea Eliade, o ser humano aprende o que é sagrado porque este se revela a ele, se mostrando totalmente diferente do profano, definido como aquilo que é alheio à religião. A partir de tal ideia, temos o pensamento de que o que é sagrado vai variar, então, de acordo com cada religião, e cada uma delas pode ter uma variada quantidade de “coisas” consideradas sagradas: templos, objetos, pessoas, relíquias, palavras ou frases, ritos, rituais, locais/espaços naturais ou construídos pelo ser humano, ensinamentos, dogmas, tradições, posturas (condutas, ações, posicionamentos, comportamentos), textos ou livros, nomes, períodos de tempo ou do ano, alimentos e bebidas, formas geométricas, estrelas e planetas, plantas, etc. O sagrado, a depender da religião a que se refira,  chega a abranger até mesmo os pensamentos humanos e a maneira como se desenrolam as relações sexuais entre as pessoas. Logo, o sagrado manifesta se sempre como uma realidade inteiramente diferente das realidades “naturais” (ELIADE, p. 12), mesmo que o objeto de culto ou espaço de serviço seja a própria natureza. 

Para a Igreja Católica, a liturgia (serviço no culto) é algo sagrado. No Siquismo, o Guru Granth Sahib é o livro sagrado, sendo reconhecido pelos siques como o Guru vivo e eterno.

Para nós, bruxas, o sagrado para a bruxaria é uma construção pessoal e cultural que pode incluir elementos como a natureza, os ciclos da vida, a fertilidade, a morte, as estações do ano, a lua, os sonhos, os animais, as ervas, o nascimento, o luto e as passagens humanas, segundo a Wikipedia.

No trecho a seguir, de Buckland, vemos a sacralidade da fumaça do incenso em nossa religião:

“Que a água sagrada e a fumaça do incenso sagrado eliminem qualquer impureza deste punhal, para que ele fique puro e limpo, pronto para me servir e aos meus deuses, da maneira que eu desejar. Que assim seja”. (p.96)

Nosso mistérios antigos e ancestrais também nos são sagrados.

A Ayahuasca, elemento sacro e cultural central de religiões como o Santo Daime e a Barquinha, servindo não apenas como uma ferramenta medicinal e espiritual, mas também como um meio de transmissão de conhecimento e fortalecimento das tradições locais (Religiões Ayahuasqueiras – Religião e Poder).

Elemento comum a tudo o que foi dito é o espanto (forte impressão) diante do sagrado, do grandioso, do sobrenatural, diante do mysterium tremendum, como dito por Rudolf Otto. O espanto que nos encanta e transforma as experiências religiosas em sagradas, visto serem elas manifestações distintas do regular, ordinário, corriqueiro, cotidiano, profano.

Conclui-se, portanto, que o sagrado não se limita a objetos, lugares ou rituais específicos, mas representa uma dimensão da experiência humana que transcende o cotidiano e confere significado, reverência e transformação à vida. Embora cada tradição religiosa reconheça diferentes manifestações do sagrado, todas compartilham a percepção de que existe algo que ultrapassa o comum e merece profundo respeito. Seja na liturgia católica, no Guru Granth Sahib do Siquismo, na Ayahuasca das religiões ayahuasqueiras ou na relação da bruxaria com a natureza, os ciclos e os mistérios ancestrais, o sagrado revela-se como uma realidade que conecta o ser humano ao transcendente. Na bruxaria, o sagrado é vivenciado de maneira profundamente imanente: ele está presente na Terra, nos elementos, nos ciclos lunares e sazonais, nas divindades, nos ancestrais, nas ervas, nos animais e nos atos rituais que reafirmam a interdependência entre o ser humano e a natureza. Assim, cada prática mágica realizada com respeito, intenção e consciência torna-se um ato de comunhão com o divino, reconhecendo que a própria vida é uma manifestação do sagrado. É justamente essa capacidade de despertar o espanto, o encantamento e o sentimento de pertencimento ao mistério que faz do sagrado um elemento fundamental das religiões e da espiritualidade humana.

Referências bibliográficas

BUCKLAND, Raymond. Livro completo de bruxaria de Raymond Buckland: tradição, rituais, crenças, história e prática. — 1. ed. – São Paulo: Editora Pensamento Cultrix, 2019.

ELIADE, Mircea, 1907 1986. O sagrado e o profano. – São Paulo: Martins Fontes, 1992.

https://www.bing.com/ck/a?!&&p=b1e1521944b6568d6a7d0ac4c484d028e8c3e10d36ce653a30877861aac306daJmltdHM9MTc4MzU1NTIwMA&ptn=3&ver=2&hsh=4&fclid=090bffa9-99e4-6995-0ca6-e88b98556840&u=a1aHR0cHM6Ly9wdC53aWtpcGVkaWEub3JnL3dpa2kvQnJ1eGFyaWE&ntb=1, em 09/07/2026

https://catholicus.eu/pt/o-sentido-do-sagrado-ensinar-aos-jovens-o-respeito-na-liturgia/, em 9/07/2026

https://religiaoepoder.org.br/artigo/religioes-ayahuasqueiras, em 09/07/2026

“sagrado”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2026, https://dicionario.priberam.org/sagrado, em 09/07/2026

https://siquismo.org, em 09/07/2026

Os Oráculos em Diversas Religiões
Keywitch
[ 15 de July de 2026 by Keywitch 0 Comments ]

Os Oráculos em Diversas Religiões

Neste breve artigo não temos a intenção de abordar de forma completa cada oráculo aqui mencionado, mas de trazer à tona à ideia de que a religião, ao longo de toda a sua história, sempre e constantemente fez uso de ferramentas oraculares. Seria impossível também abranger todas as religiões existentes, ou que já existiram. Por isso, o critério utilizado para a seleção do que seria aqui abordado foi a orientação da espiritualidade.

Ao pensar em Oráculo, o primeiro que me vem à mente é o Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga. É claro que este não era o único oráculo com o qual a Antiga Religião Grega contava (temos também, por exemplo, o Oráculo de Dódona), mas este seja talvez o mais famoso deles. Tão famoso que, na atualidade, temos um Novo Oráculo de Delfos, de Aquiles Kostas, pela Editora Isis.

Mas a Religião Grega da Antiguidade não era a única que fazia uso de tais ferramentas. Tantas outras religiões também o faziam e o fazem ainda hoje.

O Judaísmo contava com Urim e Tumim:

Ele consultou o Senhor, mas o Senhor não lhe respondeu nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. (1 Samuel 28:6 – NVI)

No texto bíblico citado acima vemos que, para além de Urim (e Tumim, por extensão), o povo judaico também tinha como ferramenta oracular os sonhos e os profetas (mensageiros dos deuses). Tais oráculos eram utilizados, assim como hoje, para a tomada de decisões. 

Ponha também o Urim e o Tumim no peitoral do juízo, para que estejam sobre o coração de Arão sempre que ele entrar na presença do Senhor. Assim, Arão levará sempre sobre o coração, na presença do Senhor, o meio para tomar decisões em Israel. (Êxodo 28:30 – NVI) 

O governador lhes ordenou que não comessem das coisas santíssimas até que houvesse um sacerdote para consultar o Urim e o Tumim. (Esdras 2:63 – NVI)

Ainda em se tratando de Judaísmo, mas abarcando também o Cristianismo, temos os Oráculos Sibilinos ou Sibilinas Cristãs. Apesar de não se saber a origem exata de tais oráculos, temos ciência de que seu caráter era claramente judaico-cristão. Também é sabido que se trata de um conjunto de oráculos, muitas vezes encontrados em Escrituras Apócrifas. Sua designação foi inspirada nas Sibilas (profetizas greco-romanas) antigas que, divinamente inspiradas, prediziam o futuro. Em suma, os Oráculos Sibilinos são uma coletânea de declarações proféticas.

Uma vez que “oráculo” é algo ou alguém consultado para que se obtenha uma resposta da(s) divindade(s), pode-se dizer que a bíblia cristã, o Alcorão e outros textos sagrados das mais diversas religiões também figuram como oráculos, trazendo revelação, direcionamento, orientação e até mesmo previsões aos fiéis, como vemos no livro bíblico cristão de Apocalipse, ou Revelação!

No que tange ao cristianismo moderno, em específico aos movimentos pentecostais e neopentecostais, as profecias emitidas per pastores, missionários, pregadores, profetas e afins também são o oráculo do qual fazem uso os devotos de tais religiões. Determinações proféticas, previsões, revelações e interpretações de sonhos e de textos sagrados, que podem ser acatados por quem desejar, estão à disposição de tais cristãos.

Os Cultos aos Orixás, por sua vez, têm como oráculos Ossos, Conchas e Ikins. Aqui no Ocidente e, em especial no Brasil, temos maior familiaridade com os Búzios, bastante utilizado no Candomblé. A leitura dos odus (“destinos”) é feita por meio dos Búzios, por um Sacerdote devidamente preparado e iniciado nesses mistérios.

O I-Ching, ligado ao Taoísmo (TAO = princípio gerador de todas as coisas), é um texto de origem chinesa que integra sabedoria e ensinamentos ancestrais. Considerado o livro mais antigo da China, remonta de 2850 a 5500 antes da era comum, e traz em si os princípios de O Yin e O Yang, conceito do Taoísmo que fala sobre a dualidade de tudo o que existe no Universo: masculino e feminino, expansão e retração, ação e contemplação, e assim por diante.

Seja na Antiguidade ou na Pós-Modernidade, e no que vier a se seguir a ela, o homem anseia por respostas, orientação e previsões. Em meio às angústias da vida diária, cidadãos da Antiga Mesopotâmia  e da China manufatureira da atualidade buscam por conforto espiritual e direcionamento por meio dos mais diversos oráculos.

Nós, oraculistas, nos propomos a transmitir e desvelar pelo menos um pouco destes mistérios, através de conhecimento, jornada interna e canalização, dando voz ao que sempre viveu e nunca morrerá: os oráculos.

Bibliografia:

DEBBIO, Marcelo Del,  MARTINELLI, Priscilla. Tarô Hermético. 3ª edição. São Paulo, S. Daemon Editora, 2025.

KOSTAS, Aquiles. O Novo Oráculo de Delfos. 1ª edição. São Paulo, SP. Editora Isis, 2017.