
Uma ideia que não agrada…
“É possível ter uma ‘Jornada do Herói’ para as Runas?”, perguntou uma de minhas alunas enquanto eu abordava o Futhark Antigo – também conhecidas por Runas Nórdicas. Eu argumentei que são sistemas diferentes, energias diferentes, culturas diferentes e, se tivesse algo parecido, acredito que alguém já teria pensado nisso. E por hora, depois de estender rapidamente a participação na discussão para todos os alunos da sala, voltamos à programação normal.
Admito que associar Runas com Tarot nunca foi uma ideia que me agradou, e nem tampouco hoje me agrada! Você não vai me ver em minhas vivências rúnicas associando a runa hagalaz com A Torre ou a berkana com A Imperatriz – isso ainda hoje me soa quase como um sacrilégio! – então a ideia de elaborar uma “Jornada Rúnica” realmente me demanda uma mente mais aberta…
Por outro lado, o questionamento dos alunos é compreensível e justificado: quem busca iniciar nas Runas Nórdicas, geralmente já têm contato com o Tarot e outros sistemas. E aprender um novo sistema divinatório é análogo a aprender um novo idioma: quando começamos, a principal referência é a lingua nativa e depois de um tempo longo de estudos, atingimos a fluência, ou seja, falamos e pensamos no novo idioma sem precisar recorrer ao idioma nativo. Nesta transição do Tarot (ou do Lenormand, por exemplo) para as Runas, é perfeitamente possível!
Mas será que ter mais essa referência para quem se inicia nos mistérios rúnicos ajudaria ou se tornaria mais um atalho? Para muitos, ela se tornaria exatamente isso: um atalho, como aqueles posts no estilo “X segredos que ninguém te conta sobre as runas” que proliferam nas redes sociais, e não um ensinamento que traga sabedoria ou profundidade. Transferir conhecimento sempre teve esse risco: não temos controle de como isso será aplicado na vida de alguém. E as runas tem um histórico nefasto de seu mau uso, mas isso é assunto para um outro artigo…
Mergulhando no poço de Mimir
Desde que eu iniciei com as formações em runas, sempre desejei que alunos meus saíssem delas com muito além de “dicas” de como ler Runas! Eu quero mais é que mergulhem de cabeça no poço de Mimir e que os mistérios das runas, suas vidas e seu dia-a-dia se transformem em uma coisa só!
Nem todo mundo está disposto – ou se sente pronto – a mergulhar nos mistérios das runas: elas são diretas ao extremo, e por isso estão longe de serem energias confortáveis. Elas vão te colocar em situações que te farão sentir no âmago do ser o imenso poder e a responsabilidade que é lidar com essas energias!
Mas isso não encerra a possibilidade de elaborar uma “Jornada do Herói” rúnica e ao ser questionado diversas vezes sobre, isso me intriga. De fato, existe uma sequência nas Runas como uma escala evolutiva aos mistérios da vida, mas seria possível contar uma história numa progressão semelhante à do Tarot?
Um caminho possível?
Na Jornada do Herói do Tarot, O Louco navega pelos vinte e um arcanos maiores como uma série de passagens onde podemos delinear em três níveis iniciáticos bem definidos a cada sete cartas: dO Mago aO Carro, depois da Justiça (ou a Força) até a Temperança e a última dO Demônio até O Mundo. No primeiro nível, vemos figuras humanas próximas do nosso dia-a-dia: o pai, a mãe, as instituições, nosso ego até que no segundo e o terceiro níveis vemos processos mais introspectivos, com energias cada vez mais sutis, até finalmente reverter seu despertar espiritual de volta ao mundo, um ciclo que se repete por toda a vida.
Nas Runas, por sua vez, temos três grupos de oito símbolos – os Ætts – com algumas características em comum: a primeira que se relaciona com as rotinas dos antigos povos nórdicos – o gado, os animais selvagens, a troca de presentes; a segunda que fala das forças da natureza – o granizo, o fogo, a morte e a transição até Valhalla (ou Hel), o frio do gelo e a luz do sol; e a terceira que enfatiza o senso de pertencimento a uma comunidade e à realização espiritual – o sacrifício do guerreiro, a missão de vida, a família e a ancestralidade.
Neste ponto, associar as runas com as cartas do Tarot ainda me parecia um atalho perigoso que impedisse a revelação dos mistérios rúnicos, mas chegamos a uma semelhança importante: os três grupos como fases de iniciação.
Um caminho possível
E foi assim que começou a ideia de se elaborar uma “Jornada Rúnica” que eu pretendo explorar nos próximos artigos, mas por hora, o que você acha da ideia de se ter uma “Jornada Rúnica” como uma forma de se aprofundar nos mistérios rúnicos? Deixe sua opinião nos comentários!
E se esse assunto te chamou a atenção, acompanhe-me aqui para saber mais sobre os mais diversos sistemas rúnicos e suas conexões não tão óbvias com mundo espiritual e nosso dia-a-dia.
Por Adriano Rosa, da Escola SoulCara

