Arquétipos: o que são, como utilizar e o que não fazer.
o espelho de vênus
[ 4 de September de 2026 by O Espelho de Vênus 0 Comments ]

Arquétipos: o que são, como utilizar e o que não fazer.

Recentemente, vi muitos vídeos, textos e gente falando na internet sobre arquétipos, como ativá-los, etc. Fiquei bem assustada e preocupada com algumas das informações, por que podem ser prejudiciais para quem acredita.

Confesso que eu mesma procrastinei a escrever sobre esse tema, apesar de ter os arquétipos como parte importante da minha pesquisa de iniciação científica, de usar a teoria na parte simbólica das minhas leituras de tarot. Meu principal receio era trazer isso de uma forma muito acadêmica ou superficial, e acabar causando mais desinformação ou confusão sobre o assunto. Mas já faz um tempo que vocês me pedem, e eu acho que é importante entender: o que é verdadeiro nesse monte de informações? Como você pode usar arquétipos na sua vida?

O arquétipo: 

O termo arquétipo como usamos hoje foi criado pelo médico e psicanalista Carl G. Jung e faz parte dos conceitos fundamentais da psicologia analítica. Entretanto, os símbolos arquetípicos já existiam antes de serem classificados em uma teoria, já atuavam na psiquê humana e eram usados pelos nossos antepassados dentro das religiões, arte e cultura. 

O que é um arquétipo? Ele é um símbolo que expressa uma verdade da vida humana, independente da época histórica. Ele tem essa premissa de ser universal – há muitas críticas a esse modelo de ideia universal, e eu mesma como taróloga, bruxa e estudante de psicologia tenho minhas ressalvas quanto ao universal. Entretanto, tenho que admitir que concordo que os arquétipos falam sobre dilemas humanos atemporais, como o amor, a competição, o eu, a traição, a relação com a comunidade, o sacrifício, o tempo, o nascimento, morte e renascimento. Os símbolos arquetípicos contam partes do arquétipo, mas dificilmente trazem todas as camadas do Arquétipo por inteiro. 

Na minha vivência, percebo o quanto os símbolos arquetípicos podem causar impactos na ampliação da consciência, e principalmente, em encontrar soluções criativas para os problemas que estamos vivendo. São como histórias simbólicas que nos ajudam a encontrar a solução em um momento de dúvida ou angústia. A nível espiritual, também nos ajudam a convocar uma energia para ser utilizada em um ritual. 

A nossa cultura está repleta de símbolos arquetípicos, alguns sendo hiper estimulados inclusive. Falo mais sobre isso, no decorrer do texto. 

No amor podemos observar o Arquétipo dos Amantes, sendo expressos em boa parte das comédias românticas e religiões. Ele é constituído basicamente, de uma personagem, que vai se apaixonar, ter dúvidas sobre o próprio sentimento e das outras pessoas (comum estar apaixonada por mais de uma pessoa), vai passar pelo dilema da escolha, o conflito ético. O Amante tem conflito ético entre escolher a verdade do seu coração ou viver tentando agradar os outros (pode ser o parceiro, a família ou a sociedade). 

Podemos observar esse símbolo arquetípico nos mitos que envolvem os relacionamentos de Afrodite, na escolha de Iansã por Xangô e não Ogun, em Romeu e Julieta. Nesse último caso,  o casal não tem dúvida dos sentimentos, mas existe uma pressão social para que não fiquem juntos. Atualmente vemos isso com frequência em casais LGBTQAP+, onde a família, a religião ou mesmo o estado tentam impedir a união. 

No tarot partes do arquétipo dos Amantes aparecem em diversas cartas e leituras. No meu trabalho já aconteceu de aparecem mulheres acreditando que precisam de conexão com a deusa afrodite para resolver um problema no amor, mas muitas vezes, após fazermos uma leitura simbólica e energética, percebemos que os arquétipos de renascimento, como a deusa hecate ou perséfone são os que vão ajudá-la a restaurar a harmonia e satisfação na vida amorosa. 

Magia é psicologia então?

Não! Hoje a psicologia tem termos que explicam em partes o que rola no processo mágico, entretanto o processo mágico e de conexão com algo maior, o uso da intenção para criar novas realidades e estados de espírito são processos diferentes da em cada uma dessas áreas de saber. 

Por que isso pode ser importante para você?

Porque com isso você pode criar rituais para aumentar seu autoconhecimento, se entender melhor, usando a magia como uma das formas de recurso para obter isso. E, por experiência própria, posso te afirmar: bruxas com autoconhecimento e senso crítico são capazes de abalar uma estrutura inteira e construir uma outra realidade em cima. Mas elas não fazem isso apenas com autoconhecimento, elas também jogam energia e intenção sobre uma situação em especial. A magia é e sempre será, a arte de desejar e manipular energias para realizar um objetivo, que pode inclusive ser algo totalmente externo. Como conseguir um novo emprego, atrair um novo amor ou usar ervas que melhoram a comunicação dentro da sua relação. 

Mentiras e confusões sobre os arquétipos, o que você deve evitar: 

Tem circulado muitas informações que não necessariamente verdades. Aqui eu quero te ajudar a entender algumas delas para você diminuir obstaculos. 

Devemos evitar lado sombra de um arquétipo

Essa é a basteira que toda vez que alguém fala uma fada morre. Isso é construído na ideia de que seríamos apenas Luz e se não entramos em contato com as nossas dificuldades, elas desapareceram. Isso é oposto da magia e do autoconhecimento, que operam sobre a contradição e equilíbrio das forças. Mas me conta uma coisa, se você matasse ou negasse a sombra, como você poderia fazer magia? Se você quer saber mais sobre como trabalhar a sombra dos arquétipos, comenta aqui embaixo. 

Podemos viver apenas um arquétipo? 

NÃO. E por que? Somos seres complexos, na vida vivemos uma grande onda de sentimentos, ações, situações. Não somos um personagem de filme, desenho, nem um mito grego. Gosto de um termo chamado possessão pelos arquétipos, é da psicologia, fala de quando temos um arquétipo hiper estimulado, quando tentamos nos relacionar apenas como um símbolo arquetípico. Isso faz a nossa psique ficar rígida e com déficit de outras ideias criativas para lidar com a vida. 

Na magia eu gosto muito de pensar na ideia de deusa mãe. A gente pode ter uma divindade como principal, mas é normal termos divindades amigas ou transitórias que nos ajudam em situações específicas. E uma não anula a outra, são a união dessas forças que vão dar base ao seu caminho na magia. Lembre-se a harmonia nasce do contato dos diferentes e da resolução dos conflitos, não do envio dos diferentes para debaixo do tapete. 

Energia feminina e masculina. 

Cuidado com livros, vídeos e pessoas que colocam como energia feminina ser passiva – e masculina agressiva – pode ser só estereótipos de gênero mascarados de “sabedoria profunda”. 

Encene até se tornar real:

Arquetípicos não são personagens que você encena, mas ideias criativas ancestrais que você pode se apropriar para superar obstáculos na vida. Inclusive já recebi relatos de pessoas encenando deusas, esquecendo da energia espiritual e política envolvidas nisso, e passando muito mal depois (fisicamente e emocionalmente). 

É só colocar uma foto da deusa no seu celular:

Colocar uma foto de uma deusa ou símbolo não vai ativar um arquétipo – você pode admirar uma obra de arte (inclusive recomendo), mas apenas essa imagem não vai resolver seus problemas por você. 

Dito isso, tem como usar os arquétipos de forma consciente? Tem, mas já aviso que é mais elaborada do que por uma foto da deusa na tela do seu celular. 

Como podemos usá-los de forma consciente e prática em nossas vidas. 

Se você já é praticante de magia, frequenta terreiros, cultua alguma divindade ou frequenta alguma outra religião, provavelmente já usou arquétipos em suas práticas, mas talvez só não tenha percebido. No seu dia a dia, você pode entrar em contato consciente com os arquétipos com essas ações:

  • Ler sobre os símbolos e mitos que te interessam.
  • Fazer terapia (vai te ajudar a localização seus padrões) .
  • Apreciar arte (cinema, quadrinhos, literatura).
  • Entender o contexto histórico do símbolo arquetípico que você se te interessou 
  • Se perguntar, sempre quando encontrar um símbolo que te chama a atenção: o que eu gosto? O que me causa repulsa ou estranhamento? 
  • Lembrar que o amor, ódio, paz, guerra, dúvida, morte e renascimento fazem parte de você, em alguma medida. 
  • Leia e aprenda sobre ervas e elementos naturais daquele culto. Se sentir à vontade, experimente. 
  • Lembrar que todos os arquétipos são úteis e vão te ajudar em alguma medida. 
  • Aprenda a reconhecer os gatilhos e respeitar seu tempo de digestão, arquétipos são complexos e maravilhosos, mas pode ser lento o processo de lidar com eles, respeite seu processo de amadurecimento e conexão com eles.

Se você quer um texto onde te ajudo a se conectar com arquétipos que podem te ajudar na sua vida amorosa, comenta aqui embaixo, que eu crio uma parte 2 desse texto. 

O espelho de Vênus: beleza, mitologia, ervas e um ritual simples para você fazer na sua casa e trazer estrutura para sua vida amorosa
o espelho de vênus
[ 13 de July de 2026 by O Espelho de Vênus 0 Comments ]

O espelho de Vênus: beleza, mitologia, ervas e um ritual simples para você fazer na sua casa e trazer estrutura para sua vida amorosa

Você já sentiu que toda vez que procura sobre autoestima, o que mais aparece são dicas sobre roupas e skin care? Na minha opinião, isso não é uma coincidência, mas sim uma forma de esvaziar um assunto tão importante. 

A autoestima é a base interior para as mulheres se sentirem bem consigo mesmas e se relacionarem amorosamente com autonomia. A ideia desse texto é reconhecer armadilhas contra a autoestima, ampliar o olhar a partir do mitológico e simbólico, para aprendermos um ritual prático e sensorial, onde você irá reapropriar e potencializar a sua autoestima. 

Armadilhas contra sua autoestima:

Existem várias armadilhas e artifícios para diminuir a autoestima, mas a que me chama mais a atenção é a comparação. Diariamente vejo outras mulheres fazendo isso e confesso que também acontece comigo. Isso não é um impulso natural, mas sim um dos mecanismos patriarcais para minar a autoestima de um grupo. Essa comparação destrutiva pode fazer com tenhamos uma autocrítica exagerada ou que não nos sintamos dignas de receber amor. Por isso, voltar a poder se admirar é um passo essencial para superar isso. Eu poderia escrever por horas sobre isso, mas a verdade é que acho muito mais proveitoso nesse momento mostrar como usar a magia do amor, para enfraquecer essa estrutura opressiva. Mas, principalmente, ajudar mais mulheres a terem prazer com a própria vida, poder pessoal, autoestima e, consequentemente, relações mais saudáveis. 

O feitiço como ferramenta de reconexão com o amor-próprio:

Nesse texto vou te ensinar um ritual para te ajudar a fortalecer o sentimento de pertencimento, amor e merecimento. Esses sentimentos são ouro, além disso ajudam a não aceitar migalhas afetivas e principalmente, a se sentir a dona da porra toda! Mas antes de entrar na prática mágica, quero te trazer algumas informações que podem ser úteis.  

Mitologia e Símbolos: 

O espelho é um dos símbolos da autoestima. As magias de espelhos são amadas e temidas entre seus praticantes, pelo potencial do espelho de revelar verdades e potencializar tudo que reflete. Basicamente o  espelho que nós mostra a beleza e horror na nossa frente. Mas o espelho também é onde podemos refletir. A palavra reflexão, na maioria dos dicionários, está ligada ao latim reflexio, derivada do verbo reflectere. Podendo se referir ao efeito físico da superfície ou metafórico. Acredita-se que os primeiros espelhos da humanidade foram os espelhos d’água. Em diversas culturas, divindades do amor carregam espelhos: Amateratsu do Xintoismo japonês, Oxum da religiosidade yoruba, Afrodite na religião pagã grega, entre outras. 

Na minha humilde opinião (e dos mitólogos e analistas junguianos), não é um acaso que as deusas do amor, as que regem os relacionamentos amorosos, a criação, sexualidade, as parcerias, tenham como símbolo o espelho.  

O espelho é símbolo do autoconhecimento. O autoconhecimento é um dos principais  ingredientes para a gente se relacionar com o outro, principalmente com quem a gente ama. O autoconhecimento é também um dos ingredientes essenciais para fazer bruxaria.  

Que Vênus é a deusa romana do amor, beleza, sexo, relações amorosas, da fertilidade e da vitoria não é segredo para ninguém. No mundo da magia e na cultura pop, a deusa é famosa até hoje, mas muitas pessoas tem dificuldade de trabalhar com a energias regidas por essa deusa – eu mesma já passei por isso há um tempo atrás. Um dos motivos é o quanto a autoestima, o amor e a beleza foram banalizados e esvaziados, sendo colocados como algo fútil e de menor importância. 

Acho muito interessante que, mesmo com toda a minimização dessas energias, elas nunca se apagaram completamente. O símbolo que associamos ao feminino ♀️, se chama espelho de vênus. Esse mesmo espelho também é usado na bandeira feminista, um movimento que luta pela autonomia das mulheres. Existe também uma obra de arte chamada Espelho de Vênus 1875, do pintor pré-rafaelita Edward Burne-Jones. Nessa obra, temos uma imagem diferente da habitual quando o assunto é vênus: ao invés de ser a deusa sendo admirada pelos outros ou se admirando em um espelho, vemos 10 mulheres ao redor de um lago vendo suas imagens refletidas. O espelho da deusa serve para que possamos nos reconhecer. Essa é uma das interpretações da obra, que, na minha opinião, expressa muito o que eu sinto que precisamos: fortalecer a capacidade das mulheres de se admirarem, se amarem e de refletir sobre si mesmas. Confesso que tudo isso junto a minha devoção a Deusa Afrodite e a Orixá Oxum, me influenciou a escolher o nome da coluna que você está lendo agora

Qual a importância de saber sobre isso para fazer bruxaria? Saber o fundamento dos símbolos e energias que queremos na nossa vida nos ajuda a potencializar os rituais. É como se déssemos mais energia para uma semente crescer e criar raízes dentro da gente. Nosso mundo interno é capaz de criar e destruir muitas coisas, alimentar ou desnutrir. Quando damos a ele conteúdos de poder, narrativas, nos ajudamos a sustentar as mudanças que queremos nas relações conosco, com as pessoas que amamos e na sociedade em que vivemos.  

Uso das ervas na bruxaria:

Historicamente, nos templos dedicados às deusas, era comum a queima de incensos, oferendas com flores e ervas. Também de banhos rituais feitos por sacerdotisas para si mesmas ou para devotos que vinham em busca de ajuda. Na Umbanda e no Candomblé vemos esse tipo de prática acontecendo até hoje. 

As plantas têm seu significado energético e espiritual. Além disso, possuem elementos químicos capazes de despertar emoções e influenciar a psique. O cheiro que você sente ao fazer um chá, um banho, entra em contato com seu sistema límbico e influencia suas emoções. Posso escrever mais sobre isso em um outro texto.

Ritual para fortalecer o amor-próprio e crenças de merecimento e pertencimento:

O ritual vai consistir em um banho de ervas. Por ser profundamente sensorial e trabalhar exatamente sobre o campo emocional. Seu corpo é seu principal templo,  abrigo e reservatório de poder. O banho de cheiro, feito de ervas, é simples. Você pode fazer na cozinha da sua casa e tomar no seu banheiro. Seja você uma grande bruxa, ou uma iniciante curiosa, provavelmente vai ter essas coisas na sua casa ou baratinho na shopee. Além das ervas você vai precisar de uma panela, 1L de água, uma peneira e uma bacia. 

As ervas: 

  • 1 colher de sopa de Hibisco para chá (não é a flor de jardim!)
  • 1 colher de chá de orégano 
  •  6 folhas de louro
  • 1 colher de chá de cravo-da-Índia 

Preparo: 

Coloque sua panela com 1 litro de água no fogo, enquanto isso fale o encantamento para as ervas.

Encantamento: 

Nesse dia, nesse momento e nessa hora eu chamo pelo poder das plantas, que o espírito das ervas possa me ajudar a despertar essas ervas.  

O orégano me faça ver o quanto já sou e represento para mim e para os outros. 

Que eu honre a minha beleza, minha alegria e tesão. 

Tudo que eu sou me pertence. 

Louro desperte meu merecimento, que eu saiba receber o melhor nas relações e que eu mereço receber o melhor de mim mesma. 

Que esse hibisco desperte meu tesão, minha vitalidade e me lembre que eu estou viva e sou próspera no amor. 

Meu fogo interno me alimenta e fortalece minha autoestima diariamente. 

Que esse cravo afaste de mim pensamentos, palavras e pessoas que tentam diminuir meu potencial, minha beleza e minha inteligência. 

Meus caminhos estão abertos, dentro e fora de mim. 

Sou grata ao espírito das ervas. Está feito.

Assim que levantar fervura, desligue e adicione as ervas que você encantou. Deixe descansar por pelo menos 10 minutos, após isso coe. Tome seu banho de higiene como de costume, no final derrame esse banho sobre seu corpo, mentalize ou fale como você deseja se sentir, tanto em relação a beleza física, quanto a reconhecer suas qualidades.  

Lembre-se: ser corajosa, inteligente, justa também são características que te conferem charme e beleza.